Efeito da atividade física na hospitalização em indivíduos portadores de Insuficiência Cardíaca: uma revisão sistemática e metanálise

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INTRODUÇÃO: A insuficiência cardíaca (IC) é uma condição clínica caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente para atender às demandas metabólicas do organismo, associando-se a elevadas taxas de hospitalização e mortalidade. A atividade física (AF) integra o manejo não farmacológico, sendo reconhecida como intervenção capaz de melhorar a capacidade funcional e reduzir eventos clínicos adversos. OBJETIVO: Sintetizar as evidências disponíveis sobre a associação entre AF e taxa de hospitalizações, tempo de internação e mortalidade em pacientes com IC. MÉTODOS: Revisão sistemática com metanálise. A busca foi realizada nas bases de dados: MEDLINE via PubMed; EMBASE, CENTRAL (Cochrane Library) e LILACS até 23/09/2025, complementada por buscas manuais nas listas de referências e registros ensaios clínicos. A extração dos dados foi conduzida em uma planilha padronizada previamente testada. O risco de viés foi avaliado utilizando a ferramenta RoB 2.0 da Cochrane para ensaios clínicos randomizados (ECRs) e Newcastle-Ottawa Scale (NOS) para estudos observacionais. As metanálises foram realizadas por meio de modelos de efeitos aleatórios. Para desfechos dicotômicos (taxa de hospitalização e mortalidade por todas as causas), foram estimadas odds ratios (OR) com com intervalos de confiança de 95%(IC95%); para o desfecho contínuo (tempo de hospitalização), utilizou-se a diferença média (MD). A certeza da evidência foi avaliada pela abordagem GRADE. RESULTADOS: Dezenove estudos (12 ECRs e 7 coortes) atenderam aos critérios de elegibilidade. Entre os ECRs 33,3% apresentaram baixo risco de viés e 66,7% apresentaram algumas preocupações. Entre as coortes, seis estudos demonstraram bom rigor metodológico, e um apresentou qualidade inferior. A idade média dos participantes variou entre 56 e 77 anos, com predomínio do sexo masculino (aproximadamente 60–70%), sendo a maioria composta por pacientes com IC com fração de ejeção reduzida (ICFEr). As intervenções consistiram predominantemente em programas estruturados de reabilitação cardíaca (RC) com exercício aeróbico supervisionado, em intensidade moderada, duas a três vezes por semana. A AF pode reduzir a taxa de hospitalização em pacientes com IC, tanto em ECRs (OR 0,63; IC95% 0,42–0,95) quanto em coortes (OR 0,46; IC95% 0,35–0,82). Também pode estar associada à redução da mortalidade por todas as causas (ECRs: OR 0,61; IC95% 0,39–0,96; coortes: OR 0,26; IC95% 0,07–0,97). Para o tempo de hospitalização, observou-se tendência de redução (ECRs: MD −6,83 dias; IC95% −14,99 - 1,32; coortes: MD −7,18 dias; IC95% −16,58 - 2,23), com muito baixa certeza da evidência. CONCLUSÃO: A prática regular de AF pode reduzir as taxas de hospitalização e possivelmente a mortalidade por todas as causas em pacientes com IC, embora não haja evidência consistente quanto à redução do tempo de internação. Os achados reforçam a importância da AF como componente essencial no manejo clínico e na reabilitação cardíaca dessa população.

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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Informação e Gestão em Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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