Perfil de consumo proteico de pacientes em Terapia Renal Substitutiva: uma revisão sistemática com meta-análises de estudos observacionais
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A Doença Renal Crônica (DRC) é um problema de saúde pública global, e pacientes em Terapia Renal Substitutiva (TRS) apresentam alto risco de Desgaste EnergéticoProteico (DEP), uma condição associada à elevada morbimortalidade. A terapia nutricional é um pilar do tratamento, e as diretrizes clínicas (como KDOQI: Kidney Disease Outcomes Quality Initiative e SBNPE/BRASPEN: Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral) recomendam uma ingestão proteica elevada (1,0 a 1,4 g/kg). Contudo, essas recomendações baseiam-se em evidências consideradas frágeis, como estudos de balanço nitrogenado. Paralelamente, o perfil de consumo real e o estado nutricional desta população, conforme documentado em estudos observacionais, careciam de uma síntese quantitativa abrangente. O objetivo geral desta dissertação foi caracterizar o perfil nutricional de pacientes adultos em TRS, através de uma revisão sistemática com metanálises de estudos observacionais. Os objetivos específicos incluíram: (1) Sintetizar o consumo proteico (g/kg); (2) Comparar a ingestão entre modalidades de diálise (Hemodiálise vs. Diálise Peritoneal) e entre pacientes com e sem desnutrição; (3) Caracterizar marcadores bioquímicos (albumina e creatinina séricas); (4) Identificar a prevalência das etiologias da DRC; e (5) Avaliar a certeza da evidência (GRADE). Foi realizada uma busca sistemática em seis bases de dados e na plataforma Consensus, incluindo 61 estudos observacionais (8.517 participantes, 1983-2022). A média combinada de consumo proteico foi de 1,05 g/kg [IC 95% 1,00-1,11], no limite inferior das recomendações. A ingestão foi menor na Diálise Peritoneal (0,96 g/kg) e em pacientes com desnutrição (diferença de 0,15 g/kg). As médias de albumina e creatinina foram 3,71 g/dL e 9,34 mg/dL, respectivamente, e as etiologias mais prevalentes foram a nefropatia hipertensiva (26,2%) e a diabética (24,3%). A heterogeneidade estatística foi extremamente alta (I² > 85%), e a certeza da evidência para todos os desfechos foi classificada como "Muito Baixa". Esta dissertação fornece um panorama quantitativo abrangente, indicando que o consumo proteico em diálise é frequentemente subótimo. Contudo, a certeza "Muito Baixa" dos achados, limitada pela alta inconsistência e risco de viés dos estudos primários, sublinha a necessidade crítica de estudos observacionais metodologicamente mais robustos para fortalecer a base de evidências das diretrizes nutricionais.
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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Nutrição, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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