Ser pai: relatos de homens que respondem a processo pela Lei Maria da Penha

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Resumo

Refletir sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher exige questionamento a respeito de aspectos como identidade, masculinidade e gênero. O padrão hegemônico de masculinidade pautado por virilidade e não demonstração de fragilidade e medo, foi imposto aos homens, muitas vezes, de forma violenta. Ainda hoje, se reproduz na paternidade esse peso histórico de figura viril e menos amorosa, restringindo a participação paterna à autoridade e provisão material. O presente estudo tem como objetivo compreender acerca das concepções de paternidade de homens que respondem a processo pela Lei Maria da Penha. Foram realizados três grupos focais na modalidade online, totalizando 21 participantes. Após realização da Análise Temática, emergiram quatro temas principais: Paternidade e Gênero, Educar, Pais e seus Pais e Momentos Marcantes. Os resultados versam acerca da aproximação entre masculinidade e o exercício da paternidade visto que ser pai é uma forma particular de ser homem. As concepções sobre o ser pai foram permeadas por aspectos como presença, amor e cuidado. Entretanto, dentre as principais concepções sobre as diferenças entre ser pai e ser mãe destacaram-se o uso da autoridade, do respeito e da função de ensinar sobre o que é certo e errado cuidando para não haver desvios. Relatos permeados por aspectos transgeracionais advindos da relação do pai com o próprio pai, ou, muitas vezes, pela ausência paterna, promovem reflexão sobre repetição de padrões disfuncionais e possibilidades/desejos de fazer diferente. A respeito da concepção sobre as repercussões da violência conjugal na relação pai-filho, os participantes verbalizaram sobre seus sentimentos em relação ao afastamento dos filhos em detrimento da aplicação de medidas protetivas. Entende-se a complexidade do tema e do contexto com necessidade de olhar para os homens para além do ato violento e com possibilidade de estarem presentes enquanto pais, de forma a preservar a vítima. Sugere-se estudos sobre paternidade no contexto de violência conjugal a fim de planejar intervenções que tenham como foco prevenção e possibilidades para a presença paterna.

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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Psicologia e Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre.

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