Análise do prejuízo cognitivo na doença de Parkinson e da influência de características clínicas e demográficas

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O prejuízo cognitivo é uma manifestação não-motora comum na Doença de Parkinson (DP) e seu mecanismo patológico não é totalmente conhecido. Como os pacientes apresentam diferenças nas características clínicas da doença e na ocorrência e evolução do prejuízo cognitivo, a identificação de fatores que possam estar associados ao prejuízo cognitivo na DP torna-se de fundamental importância, já que este constitui um importante fator de risco para o desenvolvimento de demência. O objetivo deste trabalho foi identificar características clínicas e demográficas associadas ao prejuízo cognitivo em pacientes com DP. Uma coorte de 79 pacientes com DP foi acompanhada por 5 anos em mediana, no ambulatório de distúrbios do movimento do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Os sujeitos foram classificados em subtipos motores (tremor ou instabilidade postural e distúrbio da marcha) a partir do Unified Parkinson’s Disease Rating Scale (UPDRS). A função cognitiva global da coorte foi analisada através da aplicação do Mini-Mental State Examination (MMSE) no início e ao final do estudo, e do Montreal Cognitive Assessment (MoCA) ao final do período de seguimento. A severidade da DP e a estabilidade postural foram avaliadas através da escala de Hoehn e Yahr (H&Y) e do Pull Test, respectivamente. Os resultados indicam que houve decréscimo significativo na pontuação do MMSE (P<0.001), do H&Y (P=0.001) e do Pull Test (P<0.001). As variáveis associadas de forma independente com o declínio cognitivo foram o tempo de doença (b=-0,13; IC 95%: -0,26 a -0,01; p=0,035) e o tempo de seguimento (b=-0,56; IC 95%: -0,95 a -0,17; p=0,006). Ao final do seguimento, 79,2% dos pacientes apresentaram prejuízo cognitivo através da aplicação do MMSE e 93,7% através do MoCA. Foram relacionados com uma pior performance cognitiva: a idade avançada, sexo feminino, maior duração da doença, baixo nível educacional, idade avançada no início da doença, instabilidade postural e severidade da doença no momento da última avaliação, presença de alucinações e subtipo motor caracterizado por instabilidade postural e distúrbio da marcha. Na análise de regressão linear multivariada, a severidade da doença foi independentemente associada com a performance no MMSE (b=1.94; IC 95%: -3.85 a -0.03; p=0.047), e o sexo masculino e o nível educacional foram associados com a performance no MoCA (b=4,40; IC 95%: 1,02 a 7,78; p=0.013 e b=0,87; IC 95%: 0,30 a 1.43; p=0.004, respectivamente). A identificação de características que carregam maior risco de disfunção cognitiva leva à possibilidade de se alcançar uma inferência sobre o risco de deterioração cognitiva no curso da DP e pode ajudar na escolha da melhor opção terapêutica.

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Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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