Paridade e síndrome metabólica: uma metanálise de estudos epidemiológicos

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Wagner Wessfll

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Contexto: A síndrome metabólica (SM) consiste num conjunto de alterações metabólicas que vem sendo associada com um maior risco para doenças cardiovasculares. E a experiência gestacional pode tornar a mulher mais suscetível ao seu desenvolvimento. Objetivos: Este estudo objetivou realizar uma síntese quantitativa (metanálise) para resumir as evidências de estudos epidemiológicos sobre a associação entre paridade e SM em mulheres. Métodos: Uma busca sistemática foi realizada nas bases de dados PubMed e Embase para resgatar os estudos observacionais publicados até 8 de novembro de 2019. Todo o processo de seleção, extração dos dados e avaliação da qualidade dos artigos foram realizadas de forma independente por dois revisores. A qualidade dos estudos foi avaliada pelos critérios do intrumento proposto pelo National Institutes of Health (NIH). O modelo de efeitos aleatórios foi utilizado para relatar a síntese quantitativa de dados combinados e a estatística I ao quadrado foi usada para avaliar a heterogeneidade. Os testes de Egger e Begger foram usados para avaliar o viés de publicação. Resultados: Um total de 15 artigos comtemplaram aos critérios de inclusão e foram incluídos nesta metanálise. Foi obervada uma presença de baixa a moderada heterogeneidade entre os estudos, assim como um baixo risco de viés de publicação também foi verificado. Considerando os valores extremos de paridade (maior paridade versus menor paridade), observou-se uma associação positiva e significativa entre paridade e a ocorrência de SM. As mulheres com multiparidade, ou seja, com 3 filhos ou mais, apresentaram uma probabilidade 38% maior de terem SM, quando comparada às mulheres nulíparas ou com menor paridade (OR = 1,38; IC95% 1,18-1,60). Já a paridade como uma variável numérica (parous), verificou-se uma associação linear positiva, incluindo um aumento de 10% na probabilidade de ocorrência de SM a cada aumento no número de paridade (OR = 1,10; IC95% 1,05- 1,16). Após análise de subgrupos e de sensibilidade, a associação entre paridade e SM se demonstrou robusta nessa metanálise. Conclusões: Esta metanálise indicou que uma maior paridade foi significativamente associada com uma maior ocorrência de SM em mulheres. Estes achados sugerem que a experiência gestacional pode tornar a mulher mais suscetível ao desenvolvimento da SM.

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Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Nutrição, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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