Despersonalização/desrealização e flexibilidade psicológica: explorando as relações através de um estudo correlacional e de mediação

dc.contributor.advisorPacheco, Janaína Thaís Barbosapt_BR
dc.contributor.authorAraujo , Lucas Augusto Luvison dept_BR
dc.contributor.departmentPrograma de Pós-Graduação em Psicologia e Saúdept_BR
dc.date.accessioned2026-11-06T21:04:37Z
dc.date.date-insert2026-10-30
dc.date.issued2025-04-24
dc.descriptionDissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Psicologia e Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciência da Saúde de Porto Alegre.pt_BR
dc.description.abstractA despersonalização/desrealização (DP/DR) é uma experiência dissociativa caracterizada por alterações na percepção de si mesmo e/ou do ambiente, frequentemente acompanhada por sofrimento psicológico significativo e prejuízo funcional. Embora amplamente associada a diversos transtornos mentais, ainda é pouco estudada enquanto fenômeno clínico próprio. Já a flexibilidade psicológica refere-se à capacidade de permanecer em contato com pensamentos, emoções e sensações internas — mesmo que sejam difíceis ou desconfortáveis — sem tentar evitá los ou suprimi-los rigidamente, mantendo ao mesmo tempo o engajamento em ações alinhadas a valores pessoais. Trata-se de um processo central na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e tem sido amplamente estudada como um componente transdiagnóstico relacionado à saúde psicológica. A presente dissertação teve como objetivo geral investigar o papel da flexibilidade psicológica na relação entre sintomas de despersonalização e a percepção de satisfação com a vida e o sofrimento psicológico, por meio de um estudo de delineamento transversal, com análises correlacionais e de mediação. Participaram 160 adultos da população geral, que responderam a instrumentos para mensuração de despersonalização (Cambridge Depersonalization Scale), flexibilidade psicológica (CompACT), sofrimento psicológico (DASS-21) e satisfação com a vida (SWLS). A coleta de dados foi realizada entre os meses de janeiro e setembro de 2024 de maneira totalmente remota. A divulgação do estudo foi feita através de duas fontes: inicialmente através da divulgação de convite para a participação da pesquisa através de redes sociais (Instagram, Whatsapp e Facebook). Num segundo período, o estudo foi divulgado através de e-mail institucional para servidores de uma universidade federal brasileira. Foi utilizada a plataforma de hospedagem de questionários RedCap para a participação no estudo. Antes de serem expostos aos instrumentos, todos os participantes tiveram acesso ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE e assentiram a sua participação voluntária na pesquisa. A análise dos dados foi feita utilizando-se a versão 25 do Statistical Package for the Social Sciences (SPSS, IBM Corp., Nova York). Foram realizadas análises correlacionais, comparações entre grupos e quatro modelos de mediação. Os resultados serão apresentados no artigo a seguir. As análises indicaram que a presença de sintomas de despersonalização está associada a níveis mais baixos de flexibilidade psicológica, os quais, por sua vez, predizem maior sofrimento psicológico e menor satisfação com a vida. Os modelos de mediação demonstraram efeitos indiretos significativos da despersonalização sobre os desfechos avaliados por meio da flexibilidade psicológica, sugerindo que parte do impacto negativo da DP/DR ocorre em razão da forma inflexível como o indivíduo lida com sua experiência interna. A inclusão da variável mediadora aumentou significativamente o poder explicativo dos modelos, com os coeficientes de determinação (R²) passando de 32,4% para 39,3% na satisfação com a vida, de 49,9% para 59,1% na depressão, de 34,1% para 40,5% na ansiedade e de 35,6% para 42,2% no estresse. Tais achados reforçam o papel da flexibilidade psicológica como processo transdiagnóstico relevante, além de apoiar o uso de intervenções baseadas na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) para pessoas que apresentam sintomas de despersonalização. A dissertação também previa um segundo estudo de caso clínico que não foi conduzido devido à dificuldade de recrutamento de participantes com o diagnóstico de Transtorno de Despersonalização/Desrealização. Os resultados obtidos contribuem para o avanço teórico e clínico no entendimento da DP/DR, sugerindo que intervenções voltadas ao aumento da flexibilidade psicológica podem atenuar os efeitos negativos desse fenômeno sobre o bem-estar psicológico.pt_BR
dc.description.abstract-enDepersonalization/derealization (DP/DR) is a dissociative experience characterized by alterations in the perception of oneself and/or the environment, often accompanied by significant psychological distress. Although widely associated with various mental disorders, it remains understudied as a clinical phenomenon in its own right. This dissertation aimed to investigate the role of psychological flexibility in the relationship between symptoms of depersonalization and mental health indicators, through a cross-sectional study, with correlational and mediation analyses. A total of 160 adults from the general population participated in the study by completing self-report instruments measuring depersonalization (Cambridge Depersonalization Scale), psychological flexibility (CompACT), psychological distress (DASS-21), and life satisfaction (SWLS). Data collection was carried out entirely online between January and September 2024. Recruitment was conducted through two sources: initially via social media platforms (Instagram, WhatsApp, and Facebook), followed by institutional email outreach targeting employees of a Brazilian federal university. The survey was hosted on the RedCap platform, and all participants provided informed consent before proceeding. Data analysis was performed using SPSS version 25 (IBM Corp., New York), and included correlational analyses, group comparisons, and four mediation models. The results are presented in the following article. The analyses revealed that higher levels of depersonalization symptoms were associated with lower psychological flexibility, which in turn predicted greater psychological distress and lower life satisfaction. Mediation models showed significant indirect effects of depersonalization on the outcomes through psychological flexibility, suggesting that part of the negative impact of DP/DR occurs due to an inflexible way of relating to internal experiences. The inclusion of the mediator significantly increased the explanatory power of the models, with coefficients of determination (R²) increasing from 32.4% to 39.3% for life satisfaction, from 49.9% to 59.1% for depression, from 34.1% to 40.5% for anxiety, and from 35.6% to 42.2% for stress. These findings reinforce the role of psychological flexibility as a relevant transdiagnostic process and support the use of interventions based on Acceptance and Commitment Therapy (ACT) for individuals with depersonalization symptoms. A second study, initially planned as a clinical case investigation, was not conducted due to challenges in recruiting participants with a formal diagnosis of Depersonalization/Derealization Disorder. The results contribute to the theoretical and clinical understanding of DP/DR, suggesting that enhancing psychological flexibility may help mitigate its negative effects on psychological well-being.en
dc.identifier.urihttps://repositorio.ufcspa.edu.br/handle/123456789/3631
dc.language.isopt_BRpt_BR
dc.relation.requiresTEXTO - Adobe Readerpt_BR
dc.rightsAcesso Embargadopt_BR
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/3.0/br/
dc.subjectDespersonalizaçãopt_BR
dc.subjectAdaptação Psicológicapt_BR
dc.subjectTerapia de Aceitação e Compromissopt_BR
dc.subjectAngústia Psicológicapt_BR
dc.subjectSatisfação Pessoalpt_BR
dc.subject[en] Depersonalizationen
dc.subject[en] Adaptation, Psychologicalen
dc.subject[en] Acceptance and Commitment Therapyen
dc.subject[en] Psychological Distressen
dc.subject[en] Personal Satisfactionen
dc.subject.ods3 — Saúde e Bem-Estarpt_BR
dc.titleDespersonalização/desrealização e flexibilidade psicológica: explorando as relações através de um estudo correlacional e de mediaçãopt_BR
dc.typeDissertaçãopt_BR

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Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
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