Análise molecular de Staphylococcus aureus resistente à meticilina com heterorresistência à vancomicina oriundos de Porto Alegre

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Wagner Wessfll

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Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) é uma das causas mais frequentes de infecções comunitárias e relacionadas a assistência à saúde, cuja principal opção terapêutica é a vancomicina. Contudo, o uso constante desse antimicrobiano contribuiu com a emergência de MRSA com reduzida suscetibilidade à vancomicina (hVISA e VISA), comumente associados com bacteremia persistente, hospitalização prolongada e falha terapêutica. Sendo assim, o objetivo deste estudo foi analisar as características moleculares de MRSA com heterorresistência à vancomicina oriundos de hospitais de Porto Alegre. Este estudo observacional transversal foi realizado com 217 MRSA isolados entre 2014 e 2019 de hospitais em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. A suscetibilidade aos antimicrobianos foi avaliada pelo método de disco-difusão e microdiluição em caldo Mueller-Hinton. A detecção dos genes de resistência e a tipagem do SCCmec foram determinadas por PCR convencional e PCR multiplex, respectivamente. A triagem para hVISA foi conduzida em ágar BHI contendo 6 μg/mL de vancomicina (BHIA-6V) e a confirmação do fenótipo foi determinada através da Análise do Perfil Populacional - Área Abaixo da Curva (PAP-AUC). O tipo de agr e a funcionalidade do sistema do agr foram determinados por PCR multiplex e atividade da delta-hemolisina, respectivamente. A expressão de graSR, vraSR e walKR - TCRS (do inglês Two Component Regulatory Systems) em isolados clínicos de hVISA submetidos a sub-CIM de vancomicina foi quantificada por qRT-PCR. Altas taxas de resistência foram observadas para eritromicina, ciprofloxacino e clindamicina, e baixas taxas para gentamicina, tetraciclina e sulfametoxazol-trimetoprima. Completa suscetibilidade foram verificadas para linezolida e vancomicina. A frequência dos genes de resistência aac(6')/aph(2''), aph(3’)-IIIa, dfrG, ermA e tetM foi alta entre os MRSA. Em contrapartida, baixas taxas foram observadas para os genes ant(4’)-Ia, dfrA, ermB, ermC, linA, linB, msrA, msrB e tetK. Os MRSA SCCmec tipo IV foram mais suscetíveis aos antimicrobianos (p < 0,001). Ao contrário, os MRSA SCCmec tipo III exibiram maior resistência (p < 0,001). Todos os MRSA foram suscetíveis à vancomicina, porém 9,9% apresentaram heterorresistência à vancomicina (hVISA). A proporção de MRSA com CIMVAN ≥ 1,0 μg/mL no agr grupo II foi significativamente maior do que nos grupos I e III (p = 0,002). A disfunção do agr foi observada especialmente em MRSA com CIMVAN ≥ 1,0 μg/mL (p < 0,001). Além disso, a disfunção no agr foi significativa em isolados com o fenótipo hVISA (p < 0,001). Os níveis de transcrição de graSR, vraSR e walKR foram significativamente positiva em quatro, sete e cinco hVISA expostos à vancomicina, respectivamente. Em contraste, três hVISA apresentaram regulação negativa de graSR quando exposto à vancomicina, e os níveis de transcrição de vraSR e walKR foram regulados negativamente em apenas um isolado. Os hVISA 199SA e 203SA apresentaram a expressão gênica regulada positivamente para todos os TCRS testados, e o 68SA exibiu regulação negativa para graSR e walKR TCRS. Os dados do estudo fornecem informações sobre o perfil de resistência de isolados clínicos de MRSA do Sul do Brasil, que concomitante com os dados das condições clínicas dos pacientes, podem contribuir para a tomada de uma decisão clínica mais acertada. Além disso, os dados mostram que a disfunção do sistema agr em MRSA está associado a CIMVAN ≥ 1,0 µg/mL e ao fenótipo hVISA, o que sugere que a disfunção do agr pode conferir vantagens potenciais ao MRSA para a sobrevivência em infecções invasivas. Por fim, a expressão de graSR/ vraSR/ walKR foi variável nos isolados clínicos de hVISA, que reflete a complexidade molecular do fenótipo de heteroressitência à vancomicina.

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Tese (Doutorado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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