Necessidades em saúde da população negra LGBTQIA+ residente em uma ocupação urbana

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A perspectiva interseccional propicia uma maneira de abordar a interação entre múltiplas formas de subordinação, considerando-se como o racismo se intersecta com a pobreza e a discriminação de gênero. A necessidade de visibilidade desse tema se torna necessária para a formulação de propostas e estudos mais efetivos devido a fragilidade do acesso, discriminação, heteronormatividade e racismo que podem ocorrer na prestação de serviços em saúde para populações vulneráveis. Em função de inúmeros relatos de preconceito disseminados por todo país, campanhas de valorização das diferenças, leis e políticas para populações específicas foram criadas com o intuito de combater essas iniquidades sociais. Se tratando especificamente de população negra e população LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros...), ambas possuem políticas bem definidas, mas questiona-se até que ponto essas se cruzam para beneficiar sujeitos para os quais a intersecção gênero/raça constitui sua identidade. Políticas específicas são um compromisso na promoção de direitos de forma integral, considerando que iniquidades são resultados de injustos processos socioeconômicos e culturais que corroboram com a morbimortalidade da população negra. Suas diretrizes e seus objetivos estão, portanto, voltados para mudanças na determinação social, com vistas à redução das desigualdades relacionadas a estes grupos sociais. O objetivo geral deste projeto é analisar as necessidades em saúde da população negra LGBTQIA+ residente em uma ocupação urbana, relacionando a interseccionalidade gênero e raça com mecanismos sociais e de cuidado. Pretende-se investigar, através de estudos e relatos quais são as necessidades em saúde da população negra LGBTQIA+ que reside em um local denominado “ocupação” e como essas pessoas são identificadas por mecanismos de pesquisa e estatística como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nos quais os dados coletados são responsáveis pela geração de políticas públicas. A pesquisa a ser realizada é de caráter qualitativo e, para tal, serão realizadas entrevistas semiestruturadas com três a cinco residentes da ocupação, com gravação em áudio para posterior transcrição. Para análise dos dados, será utilizada a análise temática (Braun & Clarke, 2006; 2012), a fim de identificar, analisar e relatar os temas derivados a partir de dados transcritos, permitindo em seguida a correlação teórica. Os resultados desse estudo mostram a configuração temática final com a definição de quatro temas, que são eles: Ocupação com moradia, Vulnerabilidade socioeconômica, Gênero, sexualidade e raça e Políticas públicas. Os demais resultados serão apresentados na forma de manuscrito científico e um produto educacional (livro), o qual abordará questões, posicionamentos e discorrerá sobre as necessidades em saúde da população negra LGBTQIA+ residente em uma ocupação urbana. Com esse estudo espera-se contribuir para a produção de conhecimento que proponha sensibilização, instrumentalização de processos de pesquisas e levantamentos estatísticos que envolvam a população negra e LGBTQIA+ residente em moradias irregulares (ocupações), bem como o de colaborar para a disseminação da visibilidade dos temas relacionados a raça e gênero.

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Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre

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