Efeitos da suplementação de taurina sobre aspectos bioquímicos, inflamatórios, histológicos e comportamentais em ratos expostos à poluição atmosférica
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Introdução: A poluição do ar, especialmente o material particulado fino (PM2,5), representa um risco significativo à saúde global. O Residual Oil Fly Ash (ROFA), um componente do PM2,5, destaca-se pelo potencial para induzir estresse oxidativo e inflamação em diversos tecidos. Em especial, o sistema nervoso central (SNC) é um alvo crítico, com o PM2,5 associado a doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. A taurina, um aminoácido com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, surge como uma estratégia promissora para mitigar esses efeitos. Objetivos: Identificar os efeitos da taurina sobre aspectos bioquímicos, histológicos e neurocomportamentais de ratos subcronicamente expostos ao Residual Oil Fly Ash (ROFA). Metodologia: Foram utilizados ratos Wistar machos (n = 32), mantidos em condições controladas, divididos em quatro grupos: controle, taurina, ROFA e taurina + ROFA. A taurina (400 mg/kg/dia) foi administrada por gavagem, enquanto o ROFA (250 µg/dia) foi administrado por instilação intranasal por 6 semanas. Dez dias antes da eutanásia, foram realizados os testes comportamentais (campo aberto, labirinto em cruz elevado e reconhecimento de objetos) e avaliação da função coclear por emissões otoacústicas (DPOAEs). Amostras de cérebro, pulmão, coração, fígado e rins foram coletadas para análises de estresse oxidativo (atividade de SOD, CAT e concentração de MDA), marcadores bioquímicos (ALT, AST, ureia, creatinina), inflamatórios (TNF-α e IL-1β) e histopatologia pulmonar. Os dados foram analisados estatisticamente com testes paramétricos e não paramétricos, considerando p ≤ 0,05 como significativo. Resultados: No pulmão, a atividade da CAT foi menor nos grupos SalROFA e TauROFA em comparação com SalSal e TauSal (p = 0,0001), enquanto a atividade da SOD não apresentou diferenças entre os grupos (p = 0,6538). Os níveis de TBARS foram maiores no grupo SalROFA comparado ao SalSal (p = 0,0228). No coração, a atividade da CAT foi menor no grupo TauSal em relação a SalROFA e TauROFA (p = 0,0037), e a SOD foi maior no grupo SalSal comparado a SalROFA e TauROFA (p = 0,0058), sem diferenças significativas nos níveis de TBARS (p = 0,0541). No cérebro, a atividade da CAT foi menor no grupo TauROFA comparado a SalSal e SalROFA (p = 0,002), e os níveis de TBARS foram maiores nos grupos TauROFA e SalROFA em relação ao SalSal (p = 0,0009). No fígado, a atividade da CAT foi maior no grupo TauSal comparado ao SalSal (p = 0,0161), e a SOD foi maior no TauSal em relação ao SalROFA (p = 0,0158), com níveis de TBARS maiores no TauROFA comparado ao TauSal (p = 0,015). Nos marcadores bioquímicos, não houve diferenças significativas nos níveis de creatinina, ALT e AST (p > 0,05), mas a ureia foi maior no grupo SalROFA comparado ao SalSal (p = 0,0015). Nos marcadores inflamatórios, não houve diferenças significativas nos níveis plasmáticos de TNF-α (p = 0,0651) e IL-1β (p = 0,7387), mas no tecido cerebral, os níveis de TNF-α e IL-1β foram maiores nos grupos SalROFA e TauROFA (p = 0,0019 e p = 0,0017, respectivamente). Na análise histopatológica pulmonar, foi observado acúmulo de muco (p = 0.0008), e degeneração epitelial brônquica nos grupos ROFA e Taurine+ROFA (p < 0.0001). No teste de campo aberto, a distância total percorrida foi maior nos grupos SalROFA e TauROFA comparado ao SalSal (p = 0,0102), e o número de cruzamentos periféricos foi maior no grupo SalROFA (p = 0,0322). O tempo e a frequência de rearings foram maiores no grupo TauSal (p = 0,0172 e p = 0,0041, respectivamente). No labirinto em cruz elevado e no teste de reconhecimento de objetos, não houve diferenças significativas. Na avaliação da função coclear, o grupo TauSal apresentou redução na amplitude das DPOAEs a 10 kHz na orelha esquerda (p = 0,028). Conclusão: A exposição subcrônica ao ROFA foi capaz de induzir estresse oxidativo em tecido cerebral, pulmonar e cardíaco. A taurina demonstrou efeitos protetores parciais contra o estresse oxidativo induzido pelo ROFA, modulando o sistema antioxidante, mas não preveniu a neuroinflamação ou as alterações comportamentais. Além disso, seu impacto na função auditiva sugere um papel complexo que necessita de mais investigações. Esses achados destacam a necessidade de estudos adicionais para entender melhor o potencial terapêutico da taurina e seus mecanismos de ação na mitigação da toxicidade induzida pela poluição do ar.
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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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