Estimulação Elétrica de corpo inteiro em pacientes submetidos a transplante de pulmão: um ensaio clínico randomizado

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O transplante pulmonar (TP) objetiva aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida de pessoas com doença pulmonar avançada. Entretanto, o paciente submetido ao TP pode incorrer com redução da massa muscular e capacidade física em decorrência da imobilidade e limitações estruturais impostas pela doença. A estimulação elétrica de corpo inteiro (EECI) pode ser uma alternativa para reduzir o impacto negativo do imobilismo e otimizar o processo de reabilitação. O objetivo do estudo foi avaliar os efeitos da EECI sobre a força muscular de membros inferiores e mortalidade em pacientes pós TP. Para isso, foi realizado um ensaio clínico randomizado unicego, no qual os pacientes foram randomizados imediatamente após o TP para o grupo controle (GC - fisioterapia convencional) e grupo intervenção (GI - fisioterapia convencional mais EECI). As intervenções começaram após a extubação do paciente transplantado até a alta hospitalar ou no máximo por 15 dias (uma sessão/dia). Ambos os grupos foram avaliados antes do TP para força muscular geral e específica dos membros superiores e inferiores, força pulmonar respiratória e arquitetura muscular. Após o TP, para a força muscular geral, força muscular respiratória, arquitetura muscular e dano muscular. Ao final dos protocolos, todos os testes foram mensurados novamente. O desfecho mortalidade foi monitorado 30, 60 dias e 1 ano após o TP, e o tempo de internação hospitalar foi registrado. Vinte e nove pacientes participaram do estudo, com média de idade GI: 52,7 ± 13 e CG: 54.9 ± 11.8 anos. Ocorreu uma predominância de pacientes com depressão e ansiedade no GI (p=0,050). Observou-se maior preservação no GI em relação à força isométrica do músculo quadríceps e à espessura muscular avaliada por ultrassonografia, embora sem diferenças estatísticas entre os grupos. A força muscular global aumentou significativamente ao longo do tempo em ambos os grupos (p=0,000), mas não entre os grupos (p=0,308). A força muscular respiratória apresentou um comportamento de redução após a extubação e um aumento gradual ao final dos protocolos, com diferença dentro dos grupos (p=0,000). Em relação ao dano muscular, ocorreu uma redução significativa em ambos os grupos para as enzimas Creatina Quinase (p=0,000) e Lactato Desidrogenase (p=0,021). Foram registrados 5 óbitos após 1 ano (GI n=2; CG n=3; p=0,651). O tempo de permanência na UTI não apresentou diferença significativa (p=0,847), enquanto o tempo de internação hospitalar foi 14,79 dias a menos no GI (p=0,014). Concluímos que a EECI reduziu o tempo de internação hospitalar e parece ter um efeito protetor sobre a força isométrica máxima do músculo quadríceps e a arquitetura muscular em pacientes hospitalizados após TP.

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Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

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