Comparação entre os achados ecográficos, histeroscópicos e o anatomopatológico de pacientes pós menopausa encaminhadas para o ambulatório de histeroscopia

Carregando...
Imagem de Miniatura
Data
2015
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
Introdução: A incidência de câncer de endométrio tem aumentado, parte justificada pelo aumento da expectativa de vida e parte pelos fatores de risco: menor paridade, estrogenioterapia, menarca precoce, obesidade, sedentarismo, diabete e hipertensão arterial. O câncer de endométrio acomete principalmente mulheres na pós-menopausa e tem como principal sinal o sangramento vaginal. Para investigar o endométrio temos: a ecografia (que avalia subjetivamente) e a histeroscopia (permite visualização direta e biópsia de material para o anatomopatológico). Metodologia: Foram avaliadas 3492 pacientes que realizaram histeroscopia e incluímos no estudo 1952 (na menopausa e encaminhadas por espessamento endometrial ou sangramento vaginal). O critério de exclusão foi não estar na menopausa ou não possuir dados sobre as variáveis do estudo. Foram descritas as variáveis quantitativas pela média e o desvio padrão e comparadas entre os grupos pelo teste t de Student para amostras independentes. Foram descritas as variáveis categóricas pela frequência absoluta, frequência relativa e percentual e comparados entre os grupos pelo teste de Qui-quadrado com Correção de Yates ou teste Exato de Fisher e razões de chance (Odds ratio) pela Regressão Logística univariada e multivariável. p<0.05 Resultados: Das 1952 pacientes: a idade foi de 57 ±7,8 anos, 1648 eram de Porto alegre e a espessura endometrial foi de 1,2 ± 0,47 cm. Os motivos para o encaminhamento para histeroscopia: sangramento pós-menopausa 281(14,4%), suspeita de pólipo 422 (21,6%) e espessamento endometrial 989 (50,7%). Os resultados da histeroscopia: pólipo 38,6%, atrofia 16%, normal XI 14,6%, espessamento endometrial 7,8%; neoplasia 2,6%. Do total de 1952 apenas 5 não possuíam resultado do anatomopatológico e os resultados encontrados: endométrio normal 57%; endométrio atrófico/hipotrófico 16,3%; pólipo 12,6%; atipias/neoplasia 3,6% (70 pacientes). Na comparação entre as 70 pacientes com atipia/neoplasia e as restantes 1977 encontramos, respectivamente, para a idade: 59,9 ±8,2 anos e 56,9 ±7,8 anos (p=0,001); sangramento vaginal em 28,6% (20) e 14,4% (1582) (p=0,002); espessura endometrial de 1,64 ±0,66 cm e 1,18 ±0,45 cm (p=0,001). Após a regressão logística, confirmou-se a significância do espessamento endometrial, que quando superior a 1,29cm indica um risco de 4,2 vezes mais de ocorrência de atipia/neoplasia de endométrio com p<0,001. Conclusão: A grande maioria das pacientes que apresentam espessamento endometrial ou sangramento pós-menopáusico são acometidas por patologias benignas: pólipo, mioma, atrofia endometrial. Nos casos de câncer endometrial/atipia: sangramento vaginal, espessamento endometrial não inferior a 129mm. A idade média das pacientes foi de 60 anos. A histeroscopia se confirmou com o exame de escolha para investigação da cavidade uterina, apresentado grande sensibilidade no diagnóstico do câncer endometrial e o anatomopatológico como padrão outro. O melhor ponto de corte da espessura endometrial para detectar câncer de endométrio foi 1,29cm. Esses valores por si só não são sólidos o suficiente para justificar a não investigação dos casos de espessamento endometrial superiores a 4mm, principalmente quando estão associados ao sangramento vaginal pós-menopausa. Novos estudos poderão contribuir para a possiblidade de um acompanhamento conservador com ecografia para valores endometriais entre 4 e 129mm reservando a histeroscopia imediata para espessamentos superiores.
Descrição
Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Patologia, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
Palavras-chave
Pós-Menopausa, Neoplasias do Endométrio, Fatores de Risco, Histeroscopia, [en] Postmenopause, [en] Endometrial Neoplasms, [en] Risk Factors, [en] Hysteroscopy
Citação