Uso e caracterização de estratégias de aprendizagem motora e condições de prática para a melhora da marcha na doença de Parkinson: uma revisão sistemática
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A doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa progressiva e a segunda mais comum no mundo. Compromete funções motoras e não motoras, sendo as alterações da marcha uma das principais causas de incapacidade funcional. Esses déficits estão associados a prejuízos no controle motor e na capacidade de adquirir, reter e transferir novas habilidades, destacando a importância de compreender os processos de aprendizagem motora na reabilitação. No entanto, embora a aprendizagem motora seja um componente inerente aos processos de reabilitação motora, ainda não está claro quais estratégias são mais adequadas para indivíduos com diferentes perfis clínicos e cognitivos da DP, nem como essas estratégias são selecionadas e implementadas na reabilitação da marcha. Esta dissertação teve como objetivo identificar, descrever e classificar as estratégias de aprendizagem motora e as condições de prática utilizadas em intervenções voltadas à melhora da marcha em pessoas com DP. Foi realizada uma revisão sistemática de ensaios clínicos, com busca realizada em oito bases de dados e análise descritiva da frequência e da forma de aplicação dessas estratégias. Foram incluídos 126 estudos, cujas intervenções foram classificadas segundo uma proposta elaborada e refinada pelo grupo de pesquisa, fundamentada em referenciais teóricos da aprendizagem motora. Estratégias de foco externo e pistas sensoriais foram as mais frequentemente identificadas, seguidas pelo feedback aumentado. As condições de prática mais frequentemente identificadas foram a especificidade da prática, a variabilidade da prática e a simplificação de tarefas. A maioria dos estudos combinou múltiplas estratégias de aprendizagem motora em um mesmo protocolo. Entretanto, observou-se considerável heterogeneidade na forma como os princípios de aprendizagem motora foram descritos, implementados e justificados. Além disso, características clínicas e cognitivas dos participantes raramente foram consideradas na seleção das estratégias utilizadas. Esses achados contribuem para uma compreensão mais sistemática da utilização dos princípios da aprendizagem motora na reabilitação da marcha em pessoas com DP e reforçam a necessidade de abordagens mais individualizadas, que considerem as características motoras e cognitivas dos pacientes na seleção das estratégias de intervenção.
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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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