Relação entre o consumo de vancomicina e a concentração inibitória mínima de isolados de Staphylococcus aureus resistentes a meticilina de um hospital de Porto Alegre
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Resumo
O Staphylococcus aureus resistente a meticilina (MRSA) é um importante
patógeno humano e a bacteremia causada por este agente é uma condição
comum que apresenta elevada mortalidade. A vancomicina tem sido a droga de
escolha para tratamento dessas infecções nos últimos 50 anos. Apesar disso a
resistência a este antimicrobianos não é comum. O aparecimento de isolados com
elevada concentração inibitória mínima (CIM) para vancomicina (CIM ≥ 1,5 mg/L)
tem sido relatado em diferentes centros médico no mundo, este é um fato
preocupante pois pode colocar em falha o tratamento destas infecções – este
fenômeno tem sido chamado de “vancomycin MIC creep”. O objetivo deste
trabalho é determinar a existência de “MIC creep” para vancomicina, bem como
sua correlação com o consumo de vancomicina, em isolados de hemoculturas de
pacientes internados no Hospital Nossa Senhora da Conceição, Porto Alegre, RS.
O período do estudo foi de junho de 2012 a fevereiro de 2016. Foram mensurados
o consumo de vancomicina, em dose diária definida (DDD), a ocupação hospitalar
por 100 pacientes-dia e a CIM de vancomicina dos isolados. Foram realizados
comparação das proporções, análise de variância (ANOVA) e de correlação
(coeficiente de Pearson). A caracterização dos isolados de MRSA foi através da
identificação do gene mecA, testes de susceptibilidade a antimicrobianos,
determinação da presença do gene lukS-lukF e tipagem do elemento SCCmec. A
verificação de clonalidade foi feita por eletroforese em campo pulsado (PFGE). Os
resultados evidenciaram aumento estatisticamente significativo da moda, de 1,0 a
2,0 mg/L (p=0,003) e da média geométrica, variando de 0,791 até 1,966 mg/L
(p=0,0003), da CIM para vancomicina nos isolados. Também foi evidenciado o
aumento da proporção de isolados de MRSA com CIM para vancomicina > 1,0
mg/L, de 6,5% para 100% (p=0,001). Estes dados sugerem a existência do
fenômeno de “MIC creep” para vancomicina nos isolados de MRSA, não havendo
correlação com o consumo de vancomicina (r=0,524; p=0,128). Esse fato sugere
que esta condição não foi influenciada pela emergência de resistência pelo
consumo do antimicrobiano. Perfis de resistência a mais de um antimicrobiano
foram observados em dos 51,8% dos isolados. Não foi observada resistência para
linezolida, ceftarolina e vancomicina – apesar de muitos isolados apresentarem
CIM ≥ 1,5 mg/L para vancomicina. Através da caracterização dos isolados foi
V
possível identificar o SCCmec tipo IV como o mais frequente (77,7%), estando
presentes os subtipos IVa e IVc. Também evidenciada elevada presença do gene
lukS-lukF entre isolados (62,9%). O estudo por PFGE pode evidenciar a presença
de cinco complexos clonais entre os isolados bacterianos. Também pode-se
avaliar a ausência do Brazilian endemic clone (BEC), uma linhagem antes
circulante, mas não mais evidenciada. Estes achados não podem confirmar a
existência de disseminação clonal de MRSA no HNSC e uma possível associação
com o “MIC creep” para vancomicina, no entanto sugerem a existência de novas
linhagens de MRSA que as previamente descritas em Porto Alegre.
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Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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