Perfil neuropsicológico de pacientes com doença de Parkinson candidatos à cirurgia de estimulação cerebral profunda
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A Doença de Parkinson é um dos distúrbios do movimento mais frequentes na população e é conhecida pelo seu conjunto de sintomas motores, que incluem bradicinesia, tremor de repouso, rigidez e alterações posturais, decorrentes de alterações progressivas neurológicas de causa desconhecida. Além disso, alterações cognitivas, antes consideradas secundárias, tem se mostrado como um fator preponderante para o agravamento da doença e da qualidade de vida dos pacientes. Esses déficits cognitivos podem aparecer já na fase inicial da doença, os quais só podem ser detectados através de testes específicos. A estimulação encefálica profunda (DBS) é uma das formas de tratamento disponíveis no sistema de saúde e a testagem neuropsicológica é um requisito pré-operatório de pacientes candidatos à cirurgia. Esse estudo teve a proposta de realizar a avaliação neuropsicológica dos pacientes atendidos pelo ambulatório de Distúrbios do Movimento da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, candidatos à cirurgia DBS, traçando o perfil neuropsicológico destes pacientes. A coleta de dados foi realizada no referido ambulatório no período de um ano, totalizando 30 sujeitos e os instrumentos utilizados foram: para avaliação cognitiva, Montreal Cognitive Assessment (MoCA), Mini Exame do Estado Mental (MEEM), Bateria de Avaliação Frontal (FAB) e Teste de Fluência Verbal; para avaliação de humor, Escala Beck- BDI; Questionário de Qualidade de Vida (PDQ-39) e do Sono (PDSS) e estadiamento clínico por meio da escalas de Hoehn e Yahr e a avaliação funcional através da escala Unified Parkinson's Disease Rating Scale (UPDRS-MDS). A média de idade da amostra foi de 59,7 anos (dp 10,60) com tempo médio de doença de 9,3 anos (dp 4,08) e os resultados encontrados demonstraram que 56,7% dos pacientes apresentam comprometimento cognitivo segundo os escores do FAB e 76,7% segundo o MoCA. Mesmo em fases mais iniciais da doença, percebe-se a incidência de sintomas não motores, principalmente naqueles sujeitos que tiveram um início de doença precoce. Esse fato foi constatado por meio de correlações significativas entre os sintomas cognitivos e idade de início da doença, verificado através dos resultados dos instrumentos FAB no escore total (r= ,463, p≤0,01,) e seus subitens referentes a fluência verbal fonêmica (r= -,511, p≤0,00), programação motora (r=-,404, p≤0,02), controle inibitório (r=-,429, p≤0,01); MoCA no escore total ( r=-,437, p≤0,01) e seu subitem referente a funções executivas e visoespaciais (r= -,435, p≤0,01) ; fluência verbal semântica (r= -,505, p≤ 0,00). Conclui-se que, no perfil do paciente com DP, candidato a cirurgia de DBS, há presença de comprometimento cognitivo, mesmo em fases iniciais da doença. É evidente o crescente interesse nos estudos dos sintomas não motores da DP, de critérios específicos quanto à fase de doença ideal para realização da cirurgia de DBS e os efeitos póscirúrgicos sobre os sintomas neuropsicológicos, tornando este estudo relevante na busca de diferentes estratégias de tratamento terapêutico e de avaliação prognóstica.
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Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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