Comparação do desempenho cognitivo de idosos com presbiacusia usuários e não usuários de aparelhos auditivos em um serviço público de saúde no sul do Brasil
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Introdução: Uma das consequências do processo de envelhecimento mundial é a incidência de doenças crônicas como a demência. Além disso, a presbiacusia, perda auditiva relacionada à idade, também é um fator que interfere na funcionalidade do idoso e é considerada um dos fatores de risco modificáveis para a demência. No entanto, ainda há poucas evidências sobre o papel do uso de aparelhos auditivos no impacto cognitivo, especialmente em populações que utilizam serviços públicos em países em desenvolvimento. O objetivo deste estudo foi comparar o desempenho cognitivo de idosos com presbiacusia, usuários e não usuários de próteses auditivas, e correlacionar esse desempenho com as características da amostra. Métodos: Trata-se de um estudo quantitativo e transversal. Foram incluídos participantes com idade igual ou superior a 60 anos e com diagnóstico de presbiacusia, usuários ou não de Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI). Foram excluídos aqueles com clara incapacidade de seguir comandos para realizar a avaliação cognitiva, com história prévia de doenças neurológicas ou psiquiátricas e com relato de abuso de substâncias. A coleta de dados ocorreu entre 2021 e 2022. Os procedimentos realizados foram audiometria, Índice Percentual de Reconhecimento de Fala (IPRF) e avaliação cognitiva por meio do Montreal Cognitive Assessment (MoCA). As variáveis categóricas foram descritas em frequência absoluta e relativa e comparadas entre os grupos pelo teste QuiQuadrado. As variáveis contínuas foram descritas em média e desvio padrão e comparadas entre os grupos através do teste t de Student, do teste U de MannWhitney e da ANCOVA. O teste de Spearman foi utilizado para testar correlações. Resultados: A amostra foi composta por 50 participantes, 50% usuários de AASI, 50% do sexo feminino, com média de idade de 74,3 anos e média de 4 anos de escolaridade. Todos os participantes faziam uso de AASI por até 6 meses. Os graus de perda auditiva e os resultados do MoCA dos grupos não obtiveram diferença estatisticamente significativa, bem como correlações entre o escore total do MoCA e outras variáveis de ambos os grupos. Houve correlação estatisticamente significativa entre os resultados do MoCA e o desempenho no IPFR. Conclusão: Não foram encontradas diferenças estatisticamente significantes entre os grupos estudados. A correlação entre o MoCA e o IPRF indicou um possível maior efeito do uso de AASI na relação entre a habilidade de reconhecimento de fala e a cognição.
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Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.
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