Dal Lago, PedroMartinelli, Bruna Luvizon2021-06-102023-10-092021-06-102023-10-092019https://repositorio.ufcspa.edu.br/handle/123456789/1628Dissertação (Mestrado)-Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.Introdução: o infarto agudo do miocárdio (IAM) gera, através da interrupção do fluxo sanguíneo para o coração, a morte de cardiomiócitos, desencadeando a ativação de citocinas pró-inflamatórias e a produção de espécies reativas de oxigênio (ERO) no tecido cardíaco. O exercício físico é considerado um tratamento não-farmacológico adjuvante para pacientes com doenças cardiovasculares, atuando como agente antioxidante e anti-inflamatório, além de aumentar a capacidade funcional desses indivíduos. O treinamento contínuo de moderada intensidade (TCMI) é o principal programa de treinamento para a reabilitação de pacientes diagnosticados com doenças cardiovasculares, no entanto, o treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) tem surgido como alternativa mais eficaz no tratamento dessas doenças, gerando benefícios adicionais para esses pacientes. Contudo, o efeito do HIIT em biomarcadores de danos e reparos na fisiopatologia das doenças cardiovasculares ainda é pouco estudado, sendo de fundamental importância para elucidar mecanismos adaptativos do exercício físico associado ao tratamento dessas patologias. Objetivos: avaliar o efeito do HIIT e do TCMI na capacidade funcional, perfil inflamatório e marcadores de estresse oxidativo em ratos submetidos ao IAM. Metodologia: dezoito ratos Wistar machos (280g a 350g, ≈ 90 dias) foram submetidos ao IAM através da ligadura da artéria coronária descendente esquerda. Os animais realizaram o teste de esforço máximo (TEM) em esteira rolante em três momentos (cinco semanas após o IAM, na quarta e na oitava semana após o início dos protocolos de exercício) para a avaliação da capacidade funcional. Seis semanas após a indução do IAM, os animais foram alocados em três grupos experimentais: sedentário (SED; n=6), treinamento contínuo de moderada intensidade (TCMI; n=6) e treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT; n=6). O protocolo de TCMI consistiu em 5 minutos de aquecimento (10 m/min) e 45 minutos de corrida (50-60% da velocidade máxima atingida no TEM), totalizando 50 min de exercício. O protocolo de HIIT consistiu em 8 minutos de aquecimento (10 m/min) e 10 tiros de 1 minuto (85-90% da velocidade máxima atingida no TEM) intercalados com 2 minutos (50-60% da velocidade máxima atingida no TEM) de corrida, totalizando 38 minutos de exercício. Ambos os protocolos foram realizados 5 vezes por semana, durante 8 semanas. Após o término dos protocolos de exercício, os animais foram eutanasiados e os tecidos armazenados para análises bioquímicas subsequentes. Resultados: todos os grupos iniciaram os protocolos de treinamento com valores similares de distância (SED; 222,4 ± 104,3 vs TCMI; 181,8 ± 66,6 e HIIT; 196,1 ± 70,4 m; P>0,05), tempo para a exaustão (SED; 730,3 ± 214,9 vs TCMI; 642,3 ± 159,3 e HIIT; 632,8 ± 159,3 s; P>0,05) e velocidade máxima (SED; 27,5 ± 6,9 vs TCMI; 25,0 ± 4,5 e HIIT; 27,5 ± 2,7 m/min; P>0,05) atingidos no TEM. Na quarta semana, tanto o grupo HIIT quanto o grupo TCMI foram capazes de aumentar a distância (SED; 190,7 ± 52,0 vs TCMI; 438,3 ± 100,1 e HIIT; 365,9 ± 63,7 m; P<0,01), tempo para exaustão (SED; 668,0 ± 129,1 vs TCMI; 1122,6 ± 154,5 e HIIT; 1006,5 ± 109,2 s; P<0,001) e velocidade máxima (SED; 25,8 ± 3,7 vs TCMI; 38,3 ± 4,0 e HIIT; 35,8 ± 3,7 m/min; P<0,001) quando comparado ao grupo SED. Na oitava semana, ambos os grupos treinados aumentaram os valores de distância (SED; 176,8 ± 38,4 vs TCMI; 522,2 ± 146,3 e HIIT; 367,58 ± 85,4 m; P<0,001), tempo para exaustão (SED; 639,3 ± 97,3 vs TCMI; 1236,6 ± 188,6 e HIIT; 1013,8 ± 149,1 s; P<0,001) e velocidade máxima (SED; 25,0 ± 3,1 vs TCMI; 41,6 ± 5,1 e HIIT; 35,8 ± 3,7 m/min; P<0,0001) quando comparado ao grupo SED. O grupo TCMI mostrou aumento da distância (P<0,01), tempo até a exaustão (P<0,05) e velocidade máxima (P<0,05) quando comparado ao grupo HIIT. Os níveis de IL-10 e TNF-α cardíacos não tiveram diferença entre os grupos, no entanto, a relação IL 10/TNF-α foi maior no grupo TCMI quando comparado ao grupo SED (SED; 1,9 ± 0,3 vs TCMI; 2,8 ± 0,2 e HIIT; 2,4 ± 0,6 pg/mg de proteína; P<0,01). No músculo gastrocnêmio, o nível de IL-10 foi maior (SED; 7,0 ± 1,0 vs TCMI; 12,9 ± 1,5 e HIIT; 12,7 ± 4,5 pg/mg de proteína; P<0,01), assim como a relação IL-10/TNF-α (SED; 2,1 ± 0,5 vs TCMI; 6,6 ± 1,3 e HIIT; 5,6 ± 1,4 pg/mg de proteína; P<0.001) em ambos os grupos treinados quando comparado ao grupo SED. O nível de TNF-α foi menor nos grupos treinados quando comparado ao grupo SED (SED; 3,4 ± 0,9 vs TCMI; 2,0 ± 0,5 e HIIT; 2,0 ± 0,5 pg/mg de proteína; P<0,05). O valor de 2’,7’-diclorofluoresceína (DCF) foi menor no tecido cardíaco no grupo HIIT quando comparado ao grupo SED (SED; 929,2 ± 31,2 vs TCMI; 890,4 ± 45,8 e HIIT; 853,7 ± 48,1 unidades de fluorescência/mg de proteína; P<0,05). No músculo gastrocnêmio, o grupo HIIT demonstrou menor nível de DCF comparado ao grupo TCMI (SED; 795,1 ± 48,4 vs TCMI; 839,4 ± 90,8 e HIIT; 705,5 ± 99,2 unidades de fluorescência/mg de proteína; P<0,05). O nível de malondialdeído (MDA) no tecido cardíaco foi menor em ambos os grupos treinados quando comparado ao grupo SED (SED; 1054,0 ± 305,7 vs TCMI; 760,5 ± 130,4 e HIIT; 500,2 ± 163,3 nmol/mg de proteína; P<0,05). A concentração de glutationa total foi maior no tecido cardíaco (SED; 97,5 ± 11,2 vs TCMI; 137,8 ± 24,8 e HIIT; 125,7 ± 21,2 µmol/mg de proteína; P<0,05) e no músculo gastrocnêmio (SED; 49,1 ± 9,3 vs TCMI; 68,4 ± 10,8 e HIIT; 76,3 ± 9,6 µmol/mg de proteína; P<0,05) em ambos os grupos treinados quando comparado ao grupo SED. O valor da superóxido dismutase (SOD) no tecido cardíaco e no músculo gastrocnêmio não tiveram diferença entre os grupos (P>0,05). Conclusão: o presente estudo demonstrou que 8 semanas de treinamento físico foi capaz de aumentar a capacidade funcional através do aumento da distância, tempo para exaustão e velocidade máxima encontrados no TEM. No entanto, o treinamento contínuo de moderada intensidade foi capaz de melhorar as variáveis de capacidade funcional de forma mais proeminente do que o treinamento intervalado de alta intensidade. Ambos os protocolos de treinamento foram capazes de modular positivamente as citocinas pró-inflamatórias, bem como aumentar as concentrações de citocinas anti-inflamatórias no músculo esquelético, embora essa melhora não tenha ocorrido no músculo cardíaco. Os treinamentos contínuo e intervalado demonstraram concentrações maiores de antioxidante no músculo cardíaco e esquelético, entretanto, o treinamento intervalado de alta intensidade demonstrou valores de biomarcadores de dano oxidativo mais baixos tanto no músculo esquelético quanto no músculo cardíaco comparado ao treinamento contínuo de moderada intensidade.pt-BRAcesso Aberto ImediatoExercício FísicoDesempenho Físico FuncionalInflamaçãoEstresse OxidativoReabilitaçãoInfarto Agudo do MiocárdioTreinamento Intervalado de Alta Intensidade[en] Exercise[en] Physical Functional Performance[en] Inflammation[en] Oxidative Stress[en] Rehabilitation[en] Myocardial Infarction[en] High-Intensity Interval TrainingImpacto do Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT) e Treinamento Contínuo de Moderada Intensidade na capacidade funcional, modulação do perfil inflamatório e marcadores de estresse oxidativo em ratos submetidos ao infarto agudo do miocárdioDissertação